O Eletroencefalograma Digital com Mapeamento Cerebral (DEEG)

Uma das grandes vantagens do Eletroencefalograma Digital (DEEG) é a flexibilidade que permite alterar montagens, filtros, sensibilidade e base de tempo para análise após o registro, que o EEG convencional ou analógico, não possibilita estas análises, tornando-se limitado.

O Mapeamento Cerebral (Brain Mapping), representa o processamento matemático do EEG Digital e ressalta determinados componentes específicos das ondas cerebrais, como os:
(1) Geradores: de localização, orientação, intensidade e número de anormalidades   nas Epilepsias.
(2) Análise de Freqüências, pode ser usada para procurar e quantificar o excesso de atividade lenta e transformá-la em tabela de números ou mapas topográficos.

As aplicações clinicas do Mapeamento Cerebral

O EEG com Mapeamento Cerebral, é bastante sensível a Isquemia cerebral desde alguns minutos após a sua instalação, já que as freqüências cerebrais captadas no Eletroencefalograma estão bastante correlacionadas com o Fluxo Regional Sangüíneo (FRS) e com metabolismo demonstrados em teste com PETSCAN e CRMO2 (Cerebral Metabolic Rate O2).
O EEG convencional mostra 40 a 70 % das anormalidades e o EEG com Mapeamento pode atingir de 80 a 93 % de acertos.
As alterações do eletroencefalograma com Mapeamento Cerebral podem ser visualizadas até quando a TC (Tomografia Computadorizada) ainda não revela anormalidades, o que é comum nos 2 ou 3 primeiros dias da instalação do AVC (Acidente Vascular Cerebral).
Na Isquemia Cerebral Transitória sendo suficientemente leve para não causar Infarto Cerebral visto na Tomografia Cerebral, porém o EEG com Mapeamento Cerebral pode revelar alterações.
Nos pacientes com alterações graves cerebrais a Tomografia Computadorizada é mais importante.

Indicações de DEEG com Mapeamento Cerebral

(A) Demências e Encefalopatias: O Eletroencefalograma com Mapeamento Cerebral (Brain Mapping), avalia a diminuição do Ritmo Alfa, lentificação do Ritmo de Base do EEG, Redução do Ritmo Beta, alterações nas áreas Temporais, Frontais, Centro Parietais são encontradas na Demência Pré-Senil, Demência Senil, Doença de Alzheimer, e Demência de Múltiplos Infartos.

(B) Doenças Psiquiátricas: O Mapeamento Cerebral pode ter utilidade em avaliações psiquiátricas permitindo surgir diagnóstico de organicidade através do achado de Ondas Lentas ou Atividade Epileptiforme.

(C) Traumatismo Crânio Encefálico (TCE): O Mapeamento Cerebral pode avaliar seqüelas dos traumatismos, principalmente nos casos mais leves ou  quando os outros exames estão normais, tendo em vista que nos casos mais graves a Tomografia Computadorizada e Ressonância Magnética, são mais importantes.

(D) Epilepsias: DEEEG com Mapeamento Cerebral tem papel bem estabelecido na avaliação da localização do Foco Epiléptico e ou na Determinação do Tipo de Epilepsia.

(E) Análise do Ritmo de Base e Atividade Rápida: lentificação Regional ou Focal ou diminuição das atividades rápidas de base pode auxiliar a lateralizar um foco epiléptico. Além disso, a análise quantitativa de freqüências pode ocasionalmente identificar e lateralizar ou localizar aspectos no EEG que se mostram sutis ou que podem passar desapercebidos na análise visual rotineira.

(F) O DEEG com Mapeamento Cerebral pode avaliar o efeito de drogas sobre o SNC ( Sistema Nervoso Central), pois muitos medicamentos atuam sobre os ritmos cerebrais, determinando, por exemplo, incremento da atividade rápida (Beta).

Baseado no artigo Recomendações Para o Registro/Interpretação do Mapeamento Topográfico do EEG e Potencial Evocado. Parte II Correlações Clínicas.

Arq. Neuropsiq 1999; 37 (1)

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